A história nos revela que interação do homem, ao longo de seus 100 mil anos de existência, e o meio circundante provocou uma evolução conjunta. De fato, não vivemos no mesmo mundo que os nossos ancestrais do tempo das cavernas. A palavra-chave para entender esse processo é Adaptação, que, numa definição biológica, é o ajustamento de um organismo às condições do meio ambiente.
Uma adaptação pode ser física, corporal, como o estudo da Evolução por analogia e homologia dos órgãos dos seres vivos atesta. Também pode ser comportamental, como mostra o estudo das variações dos nichos ecológicos dos organismos. A Etologia, ramo das ciências biológicas que estuda o comportamento animal (os animais têm uma performance comportamental mais elaborada), surgiu dessa preocupação.
Além disso, uma adaptação pode ser ativa ou passiva, dependendo do organismo em questão e de seus estilos de alimentação, deslocamento e reprodução. Mas toda adaptação provoca, em maior ou menos escala, alterações no meio, como variação na disponibilidade de recursos naturais, pressões sobre a cadeia alimentar, mudanças na morfologia e na composição dos solos ou nos eventos atmosféricos.
Os biólogos evolucionistas situam o homem no topo da pirâmide evolutiva por ser ele o ser vivo mais adaptado, e, portanto, o mais potencialmente capacitado a transformar o meio. Com um sistema nervoso complexo e a faculdade do raciocínio, o homem “criou” o mundo abstrato, não-concreto, a partir do qual modifica o mundo concreto de uma maneira cuja elaboração está aquém daquela praticada por outras formas de vida.
Para entender a adaptação, é necessário recordar o conceito de Paisagem. Trata-se da porção do espaço que se abrange num lance de vista. É resultado da interação dialética entre elementos orográficos, pedológicos, hidrográficos, climáticos, ecossistêmicos e antrópicos.
Uma paisagem pode ser natural ou cultural. Enquanto a paisagem natural é aquela que ainda não foi corrompida pelo homem, a paisagem cultural é a que surge do desenvolvimento das atividades humanas a partir de um substrato natural. Ou seja, é a natureza associada à cultura. Vejamos a definição que o dicionário Aurélio dá para a palavra cultura:
“Acepção 5. O conjunto de características humanas que não são inatas, e que se criam e se preservam ou aprimoram através da comunicação e cooperação entre indivíduos em sociedade. [Nas ciências humanas, opõe-se por vezes à idéia de natureza, ou de constituição biológica, e está associada a uma capacidade de simbolização considerada própria da vida coletiva e que é a base das interações sociais.]
Acepção 6. A parte ou o aspecto da vida coletiva, relacionados à produção e transmissão de conhecimentos, à criação intelectual e artística, etc.
Acepção 7. O processo ou estado de desenvolvimento social de um grupo, um povo, uma nação, que resulta do aprimoramento de seus valores, instituições, criações, etc.; civilização, progresso.
Acepção 11. Antrop. O conjunto complexo dos códigos e padrões que regulam a ação humana individual e coletiva, tal como se desenvolvem em uma sociedade ou grupo específico, e que se manifestam em praticamente todos os aspectos da vida: modos de sobrevivência, normas de comportamento, crenças, instituições, valores espirituais, criações materiais, etc. [Como conceito das ciências humanas, esp. da antropologia, cultura pode ser tomada abstratamente, como manifestação de um atributo geral da humanidade (cf. acepç. 5), ou, mais concretamente, como patrimônio próprio e distintivo de um grupo ou sociedade específica (cf. acepç. 6).]
Acepção 12. Filos. Categoria dialética de análise do processo pelo qual o homem, por meio de sua atividade concreta (espiritual e material), ao mesmo tempo em que modifica a natureza, cria a si mesmo como sujeito social da história.”
(Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI. Versão 3.0 – Novembro de 1999).
“Acepção 5. O conjunto de características humanas que não são inatas, e que se criam e se preservam ou aprimoram através da comunicação e cooperação entre indivíduos em sociedade. [Nas ciências humanas, opõe-se por vezes à idéia de natureza, ou de constituição biológica, e está associada a uma capacidade de simbolização considerada própria da vida coletiva e que é a base das interações sociais.]
Acepção 6. A parte ou o aspecto da vida coletiva, relacionados à produção e transmissão de conhecimentos, à criação intelectual e artística, etc.
Acepção 7. O processo ou estado de desenvolvimento social de um grupo, um povo, uma nação, que resulta do aprimoramento de seus valores, instituições, criações, etc.; civilização, progresso.
Acepção 11. Antrop. O conjunto complexo dos códigos e padrões que regulam a ação humana individual e coletiva, tal como se desenvolvem em uma sociedade ou grupo específico, e que se manifestam em praticamente todos os aspectos da vida: modos de sobrevivência, normas de comportamento, crenças, instituições, valores espirituais, criações materiais, etc. [Como conceito das ciências humanas, esp. da antropologia, cultura pode ser tomada abstratamente, como manifestação de um atributo geral da humanidade (cf. acepç. 5), ou, mais concretamente, como patrimônio próprio e distintivo de um grupo ou sociedade específica (cf. acepç. 6).]
Acepção 12. Filos. Categoria dialética de análise do processo pelo qual o homem, por meio de sua atividade concreta (espiritual e material), ao mesmo tempo em que modifica a natureza, cria a si mesmo como sujeito social da história.”
(Dicionário Aurélio Eletrônico – Século XXI. Versão 3.0 – Novembro de 1999).
A construção das paisagens culturais, a partir das necessidades humanas, também provoca modificações nos homens, agentes desse processo, e em seus modelos de percepção. A adaptação humana figura, assim, como um importante imperativo para a ampliação do conhecimento do mundo, de modo que o homem possa assim compreender a si mesmo e adaptar-se, cada vez mais, em harmonia com o Óikos. Sobre isso, convém concluir com a seguinte citação:
“Todo conhecimento torna-se, devido à necessária vinculação do meio ao indivíduo que pertence ao próprio meio, um autoconhecimento. Essa interação faz-se cogente pela gênese unívoca entre os muitos integrantes do mundo da vida, sem olvidar que o homem é um desses integrantes. [...] Ocorre, deste modo, um acoplamento estrutural entre o sistema nervoso do observador e o meio proporcionando, assim, uma mútua transformação/adaptação. O ser é modificado pelo meio ao qual o próprio ser pertence e modifica”.
(TRINDADE, André. Os direitos fundamentais em uma perspectiva autopoiética, p. 97. Porto Alegre: Livraria dos Advogados. 2007).
“Todo conhecimento torna-se, devido à necessária vinculação do meio ao indivíduo que pertence ao próprio meio, um autoconhecimento. Essa interação faz-se cogente pela gênese unívoca entre os muitos integrantes do mundo da vida, sem olvidar que o homem é um desses integrantes. [...] Ocorre, deste modo, um acoplamento estrutural entre o sistema nervoso do observador e o meio proporcionando, assim, uma mútua transformação/adaptação. O ser é modificado pelo meio ao qual o próprio ser pertence e modifica”.
(TRINDADE, André. Os direitos fundamentais em uma perspectiva autopoiética, p. 97. Porto Alegre: Livraria dos Advogados. 2007).
Acredito que a capacidade de "Adaptação" foi um dos principais fatores que fez o ser humano se tornar o dominante no planeta.
ResponderExcluirNão temos garras, presas, não somos velozes e nem temos venenos, mas temos a capacidade de adaptação aos diferentes ambientes que existem.
Parabéns pelo seu blog.
Precisamos de mais blogs assim na internet. Ainda há muita porcaria por aí, mas tenho certeza que mudaremos isso.
Abraços!
Estive "conversando" via twitter com Luiz Bento, do Rio de Janeiro. Ele é bacharel e mestre em Ecologia (UFRJ), sendo atualmente doutorando em Ecologia (UFRJ). Trabalha com Ecologia de Ecossistemas Aquáticos. Edita o blog "Discutindo Ecologia (http://scienceblogs.com.br/discutindoecologia/).
ResponderExcluirLuiz Bento contestou o trecho "Os biólogos evolucionistas situam o homem no topo da pirâmide evolutiva por ser ele o ser vivo mais adaptado...". Segundo ele, "o homem está longe de ser o topo da evolução. Não é o ser mais evoluído, em nenhum sentido. A Evolução por Seleção Natural não tem este caráter. Trata-se um entendimento errôneo da Evolução por Seleção Natural".
Acredito que posso ter pecado na semântica dessa construção frasal. Minha intenção era explicar a grande diferença existente entre os seres humanos e os demais seres vivos em razão da complexidade de seu sistema nervoso, da sua capacidade de raciocínio e de sua grande potencialidade como agente transformador do meio.
Luiz me recomendou a leitura do post http://charlesmorphy.blogspot.com/2010/03/apenas-humanos.html (que também recomendo) e de um livro de Stephen Jay Gould (LANCE DE DADOS - A IDÉIA DA EVOLUÇÃO DE PLATÃO A DARWIN - Ed. Record, 336 p.), em que ousado biólogo evolucionista demonstra que, ao contrário da opinião corrente, o progresso e a complexidade crescente não são característicos da evolução da vida na Terra. Gould prova que a variedade, e não a complexidade, é o verdadeiro paradigma da evolução.
Trata-se de algo controverso, que divide a opinião dos especialistas.
Mais informações sobre o livro no link: http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=16501.
Olá, Rafael!
ResponderExcluirVisitando seu blog pela primeira vez...
Vou na mesma linha do grande Luiz Bento: o trecho "Os biólogos evolucionistas situam o homem no topo da pirâmide evolutiva por ser ele o ser vivo mais adaptado, e, portanto, o mais potencialmente capacitado a transformar o meio" realmente não está correto, do ponto de vista biológico. Explico: a melhor metáfora para a evolução da vida não é uma pirâmide e sim uma árvore. Nesse sentido, há muitos galhos terminais, não apenas um, o que significa que exisitiram diferentes "rotas" que culminaram na atual diversidade. Nossa espécie é apenas um desses ramos, uma dessas linhagens, não a mais adaptado ou melhor sob qualquer aspecto.
Costumo fazer uma brincadeira com meus alunos. Todos dizem que o homem é o "mais adaptado" entre todos os seres vivos. Jogue o César Cielo e um peixe marinho qualquer no meio do Atlântico. Quem sobrevive?
Parabéns pela iniciativa e continue ajudando na divulgação da ciência!
Abraço
Seja bem-vindo, Charles Morphy.
ResponderExcluirObrigado pelo comentário. Realmente, a metáfora da árvore é mais aceitável. Gostei da comparação que fez entre o peixe e César Cielo. Não há mesmo dúvida sobre quem sobrevive (risos).
Olá Rafael,
ResponderExcluirRetribuindo a visita que fez ao Biosfera, quero parabenizá-lo pelo excelente conteúdo do blog. Quanto ao post e os comentários dos visitantes, são ótimos para provocar uma boa reflexão. O homem está no Planeta como o mais "poderoso" de todos os seres, basta a natureza mostrar uma parte ínfima de sua força, por exemplo, em um terremoto, para percebemos que nós Seres Humanos Racionais, não somos tão evoluídos assim e que não podemos com ela!
Ao grupo "Biosfera":Obrigado pelos elogios.
ResponderExcluirO que vocês disseram sobre a força da natureza é muito procedente. Agradeço pelo comentário.
Abraços.